Aguenta se for mulher!?

Ser mulher é desafiador. Você foi criada dentro de padrões ainda patriarcais (na maioria das vezes) e se pega questionando muitos fatos:

-Nossa, por que naquela foto dos empreendedores aqui no Vale do Silício, só tinha uma mulher e 10 homens? Por que não temos mais mulheres na política? Por que minha amiga tem o mesmo cargo, formação, até mais tempo de empresa que aquele cara, mas ele ganhara uma promoção primeiro?

Ser mulher nunca foi fácil! Houve época em que era pior ainda, não podíamos vestir uma calça ou votar. Isso nao significa que a luta acabou; ser mulher em algumas partes do mundo é até heroico!

ser mulher

Hoje, vestimos calças, votamos, casamos e descasamos. Mas ainda somos mau-representadas, ainda somos objetificadas, ainda temos medo de andarmos sozinhas por ai (dependendo do país, horário ou da roupa que vestimos!), ainda somos estupradas física e moralmente. Nós, nossas mães, nossas filhas, nossas amigas, nossas inimigas – todas sofremos uma opressão ou uma minimalização dos nossos sentimentos de: inferioridade, de minoria e de falta de voz na sociedade!

Quando uma mulher é estuprada por 1, 28, ou 33 homens e acontecem piadas na mídia social sobre tal abuso,  julgamentos; ‘ela quis dar pra mais de 20, problema dela!’-  você ve que nossa sociedade precisa se re-educar. Fomos criadas dentro do patriarcalismo; nem todas com acesso às informações que proporcionam questionamento de comportamentos e padrões sócio-econômicos (O que acontece nos bailes de favela? Qual o futuro que as meninas dos bailes de favela enxergam para elas? Quem está esclarecendo a cultura do estupro ali dentro? Quem está lutando por essas mulheres?). A maioria ali entende que sua função é ‘agradar’, se subjetificar e com ‘sorte’ ser aceita, escolhida, amada…

Nós mulheres, precisamos sim, falar alto, falar grosso, falar com autoridade, falar palavrão, falar! Você precisa ouvir a voz das feministas de nossa época. Você precisa ser uma mãe feminista. Você precisa parar de julgar suas amigas e dar as mãos.

Há muitos paradigmas a serem quebrados, muitos tabus, há muitas de nós – incluindo eu – que precisam de uma re-educação. Não é normal sentir medo ao sair nas ruas (seu marido tem medo de ser estuprado quando sai de shorts na rua?), não é normal sentir culpa porque seu marido hoje lavou uma loucinha (ele já se sentiu culpado por não ter lavado a louça??!), não é normal achar que era normal que VOCÊ abdicasse de sua carreira para cuidar dos filhos, pois seu marido ganha e sempre ganhara BEM mais que VOCÊ – não é normal, pronto e acabou. Deixar a carreira por escolher ficar com os filhos é uma coisa, outra é ter que abdicar da carreira por comparação a carreira de seu parceiro e sair ´perdendo´.

Questione-se. Sempre. Vivemos numa era em que nós, mulheres, estamos acordando para tristes realidades. Essas realidades podem ser transformadas. Mães, instruam-se, nao tenham medo das feministas. Não estamos contra os homens, estamos contra o menosprezo da mulher na sociedade, contra o estupro, contra a objetificação da mulher.

Aqui, no Vale do Silício, minha própria filha aos seus 13 anos, teve que lutar por seus direitos de simplesmente poder andar pelos corredores da escola sem gritarem comentários abusivos sobre sua ‘bunda’ (sim ter uma bunda brasileira aqui nos EUA, causa muitooo) -e não ser ouvida! Tivemos que chegar ao ponto de mudar de escola no meio da oitava serie, pois o assédio estava causando traumas e situações impossíveis.

E por que eu falo sobre isso? Porque ficar calada não resolve, é como se eu estivesse dizendo ao diretor machista da escola dela: Você esta certo! Vamos continuar punindo as meninas afinal, coitadinhos daqueles meninos; não podem se conter! (são animais, não são seres humano ?!?) – Eu tenho filhas e filho. Educo meu filho para que seja um homem do bem, um menino digno que respeitará as meninas e que não vai sair por ai como um maníaco sexual cantando todas! Uma menina de 12, 15 ou 30 anos não quer ouvir comentários sobre suas partes sexuais. Isso a faz se sentir: mal, suja, agredida.

Diga não e ensine a seus filhos/as a dizeram NÃO à cultura do estupro. Isso é muito sério.

rape culture St Mary
Clara, 14 anos, em sua nova escola, apresentando seu projeto de formatura da oitava serie: Não a Cultura do Estupro!

 

Dentro da cultura do estupro, as mulheres não são vistas como seres com vontade própria, são consideradas propriedade dos homens. Cabe às mulheres obedecerem às regras masculinas – ser feminina, falar baixo, aceitar ser vista como objeto sexual pois “homem é assim mesmo”. E quem não aceita as tais “regras masculinas” é culpada por tudo o que lhe vier a acontecer…sério? Por quanto mais tempo aguentaremos essa explicação absurda de que: ‘homem é assim mesmo?!’ – Os daqui de casa não são! Se você tem um assim, questione-se: realmente quer estar com ele?

Força mulheres!

Adri xxx

 

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