A persistencia, a violencia, o feminismo!

E hoje eu leio que o ENEM esta dando o que falar! E hoje eu disse as minhas filhas adolescentes, que nasceram na Inglaterra e estao crescendo por esse mundo afora, atualmente na California, no Vale do Silicio:

‘-Leiam isso! Eu, aos meus 43 anos estou me sentindo gente inteligente! Menos suja, menos culpada, menos puta!’

Sim, menos puta! Porque e assim que uma menina, uma crianca de 12, 13 anos, uma adolescente, uma mulher se sente quando e violentada fisica ou verbalmente. E uma verdadeira confusao de sentimentos.

Na minha adolescencia, em Sao Paulo, eu pegava onibus para ir ao colegio – anos 1990-1994. Era uma ‘guerra dos sexos’ dentro daqueles onibus e, era no minimo; nojento. Lembro-me que eu e minhas amigas desenvolviamos ‘tecnicas’ para que os homens nao nos ‘encoxassem’. Colocavamos nossas mochilas bem baixas, nas costas; sendo assim, ao ficarmos em pe nos onibus lotados, nenhum safado estacionaria facilmente atras de nossas bundas. Mas havia sempre os mais insuportaveis que, ja estavam de olho em ti desde o ponto de onibus e, se nao tivessem exito em estacionar bem atras de voce, tinham a cara-de-pau de descerem no mesmo ponto de onibus so para tentar ‘passar a mao na sua bunda’ ainda ali, na escada do onibus, ou na rua mesmo, em meio a um vuco-vuco.

Ja fui violentada fisicamente, a caminho de casa – bairro classe media, excelente –  voltando da escola com uma amiga, em plena luz do dia. O fulano mentecapito, estava me seguindo – mas quando voce tem 14 anos e esta conversando com uma amiga, as vezes voce nao percebe a maldade do mundo ao redor de si. Ele me seguiu e de repente, tudo o que senti foi uma ‘maozada’ no meio das minhas pernas que eu me lembro muito bem, tirou meus pes do chao. Eu fiquei em choque e comecei a gritar, e vi o cara pondo a mao no bolso e sair andando como se nada tivesse acontecido… para depois correr e sumir…Minha amiga nao entendia nada; eu so gritava e chorava desenfreadamente…Assim que pude falar, ela me ajudou me abracando e me levando para casa. Meus pais chocados e, meu pai – hoje falecido – tinha porte de arma. Ele nao disse nada; pegou seu 38 e saiu em busca do agressor.

Meu pai nao o encontrou, gracas a Deus. Seria um horror termos deixado esse psicopata fazer ainda mais estragos numa familia.

No Brasil, na minha epoca, tudo isso era meio que normal. Nao tinha para quem reclamar e pior ainda, tinha medo de contar para qualquer um…Afinal, poderiam me julgar pelas minhas calcas justas, pelo tamanho do meu bumbum… ‘how dare me?!’

Eu sempre amei o carnaval, as festas, as musicas; adoro dancar! Mas, festas de carnaval, para os mais velhos, significava: voce vai la para os homens te passarem a mao, voce esta pedindo! E nessas festas, os ‘homens’ eram os adolescentes, como eu. Eu nunca ‘passei a mao’ em ninguem, eu ia ao carnaval de rua ou de clube para me divertir com minhas amigas, dancar, pular e nao para desrespeitar ninguem ou assediar uma pessoa sexualmente! Nem beber eu bebo rs! Mas, os meninos ah, muitos deles carregavam a mentalidade de seus pais. E nao havia, nem nunca houve protecao ou empatia por esse tipo de agressao a mulher.

Hoje, leio na midia que os nossos jovens brasileiros estavam sentados com suas canetas a mao, tendo que dissertar sobre o seguinte tema do ENEM:

enem_mec

Hoje eu lavei a alma. Hoje eu nao sou puta. Hoje a minha bunda é minha e é livre, numa saia, numa calca jeans ou numa legging.

E voce amiga? Tem historia para contar? Coloca na roda pois A CULPA NAO é SUA!

E nas proprias palavras da minha filha teen:

‘Nao mae, nao sou eu quem tenho que mudar, sao eles quem tem que mudar o comportamento deles!‘ – ela me disse isso quando lhe pedi para ‘amarrar uma blusa na cintura’ para evitar comentarios na escola sobre seu ‘bumbum brasileiro’. Mulheres, nao se iludam, violencia sexual contra a mulher existe no Brasil  – descaradamente – existe aqui, existe no mundo todo. E, comeca extremamente cedo, em forma verbal, que seja; corroi aos poucos.

O Feminismo esta ai para nos libertar, nos dar a paz que tanto merecemos.

Adri xxx

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4 thoughts on “A persistencia, a violencia, o feminismo!

  1. Fiquei arrepiada e aliviada ao mesmo tempo ao ler esse texto.
    Tenho uma sobrinha q Foi agredida fisicamente pelo ex-namorado recentemente e ao ser questionada pelo pai e avó, negou de pés juntos q o agressor não tinha sido o mesmo e sim umas mulheres q estavam passando. O medo é contagiante nesses momentos de dor e vergonha q a vitima acaba se sentindo culpada do acontecido.
    Adri Vc É incrivel! Que exemplo de mulher para suas filhas! Obrigada!

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    1. Nossa, sinto muito por sua sobrinha.So consigo ser quem sou e como sou, por Deus e por estar rodeada de amigas, mulheres fortes, positivas e companheiras como voce 😉 Thank you!!! xxx

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